Estou no início do “livro segundo” na minha leitura de “Confissões do impostor Felix Krull” de Thomas Mann. O livro já traçou seus intentos, delineou o personagem e prepara-se para lança-lo ao mundo. A narrativa em primeira pessoa , na condição de narrador do próprio passado, que frequentemente se contradiz e se desculpa por não seguir compromissos assumidos quanto a questões técnicas da literatura, lembra o Tristram Shandy do Lawrence Sterne. O personagem de Mann, contudo , é menos sinuoso e sua digressão não passa por questionamentos de ordem moral ( característica que ele não parece dispor ) como o quixotesco Tristram. Se em Sterne o protagonista/narrador é um instrumento do verdadeiro autor para, lançando mão da fustigada psique ( se me permitem usar tal termo, pra um texto pré-freudiano – hey, isso é só mais um blog) de sua personagem para lançar as favas conceitos clássicos da arte de contar estórias, em Mann tudo parece estar a serviço da falsidade ( que parece ser o assunto do livro).
Esse buffer (perdão de novo, faria mais sentido comparar com a máscara de cena do personagem Müller-Rosé. mas eu já disse que isso é um blog, né?!) criado entre leitor, autor e texto é o espaço onde a mentira é explicitada, a amoralidade é ressaltada e , ainda assim a cumplicidade é urdida.
(comentário será editado com o avanço da leitura)
minha adolescencia teve muito de Álvares de Azevedo.